teste 19.10.2012

Ah, sim:

Esta Alquimia mudou para http://alquimiadoverbo.blog.com

Por enquanto estamos atendendo no novo endereço.

Passa lá!

3o Concurso Literário Alquimia do Verbo

Resultado Final


Após receber centenas de emails, a maior parte spams, a equipe leu os textos e elogia a qualidade.

O vencedor que leva os livros, por uma pequena margem, é a pessoa que se auto-identificou como Yannis Kasalivich.

Parabéns!

Agora é só entrar em contato.

No próximo concurso, quem sabe conseguimos patrocínio para sortear uma viagem a Acapulco com o Polegar Vermelho.

O fim do fim


Tempos atrás mandei um email para um colega combinando uma reunião.

Ele respondeu dizendo que não poderia. Mandei outra sugestão de data, ele topou.

Mandei de volta um email com "Ok, fechado".

Ele respondeu "Até lá". Não respondi, entendendo que a conversa tinha acabado.

Dias depois ele reenviou o email "Até lá".

Respondi com um "Até lá".

Ele devolveu, minutos depois, com "Até".

Não respondi. Dito e feito: horas depois, email encaminhado novamente com o "Até".

No dia da reunião ele não apareceu.

Mas fica a dúvida: quando uma conversa acaba?

A mãe de todos os vícios

 

Outro dia, em um elevador em um desses prédios inteligentes (?) na Vila Olímpia.

Estava indo embora, tomei o elevador no 15o. andar. No 12o. ele parou, entrou uma moça, apertou o 11o.

Sem dar um instante, virou-se e disse, em tom enfezado:

"É, eu sou preguiçosa mesmo, desço um andar de elevador, pode me chamar de preguiçosa".

Sorri e não disse nada. O elevador parou, ela saiu, mas não sem completar:

"Pode me chamar de preguiçosa, sou mesmo".

Sorri novamente sem dizer nada enquanto a porta fechava.

Que estereótipos nacionais não significam nada dá para entender no primeiro contato com outros povos.

Argentinos são simpáticos e solícitos, franceses podem ser muito educados, italianos originais gesticulam bem menos do que italianos brasileiros e assim por diante.

Mas, quatro anos atrás, antes de ir para a ilha, não faltaram histórias tenebrosas de como os ingleses eram frios, distantes e evitavam os estrangeiros.

E faz quatro anos que estou procurando esse tipo de inglês.

Aparentemente, não moram na Inglaterra.

 

Tchau, Aclimação.

 

Foram três anos e meio de convivência. Tranqüilo, bom de viver, sossegado.

Deve ter algum problema, mas, olhando deste lado, só tem vantagens.

Vinte minutos a pé do centro velho. Quinze dos restaurantes japoneses tradicionais. Vinte e cinco dos melhores sebos.

Tchau, Hirota. Tchau, pequenas vendas que dão ao bairro um tom de vila, mercadinhos e lojas da Av. Aclimação.

Tchau, Orquídea Palace, com seu trio de atendentes - Pereira, Cabelo e Hulk. Até, pizzas San Martino (recomenda-se com ênfase o Calzone Primo). E olha que não faltam opções.

Até mais Parque, valeu, lago. Tchau para as senhoras velhinhas japonesas que, frio ou calor, encaravam a Rádio Taissô às 6h30 da manhã no Parque.

Um dia, em 2009, o lado do parque secou. Estourou um cano e o lago secou. A notícia repercutiu a ponto de um amigo da Inglaterra mandar via email "Olha, não é aí onde você mora?".

Foi legal.

Muito legal.

 

Blop blop blop

 

A frase "estou de mudança" significa de que por um tempo você está funcionando em modo de segurança, só com o essencial.

Todo o resto está encaixotado sob milhares de bolhas do plástico bolha.

Aliás, haja força de vontade para não ficar estourando bolhas em vez de empacotar as coisas.

Encaixota aqui, blop blop blop, outra coisa, blop blop blop, termina um cômodo, blop blop blop.

Mas mudança pode ser algo muito instrutivo.

Dá uma sensação estranha quando você nota que tudo o que você tem cabe em trinta e poucas caixas.

Quando você está de mudança dá para descobrir um monte de coisas.

Por exemplo, que você não precisa de muita coisa do que tem.

E que algumas, absolutamente importantes quando adquiridas, não dizem mais nada.

Fora o esforço extra de manipular um estilete e fita super-ultra-adesiva sem se cortar e/ou ficar grudado no processo.

É divertido. Mas ainda bem que é só de vez em quando.

Mesmo.

Sinais

 

Hoje, mais ou menos na hora do almoço.

Na calçada, esperando para atravessar a rua.  Ao meu lado, uma velhinha.

Perto dela, mas um pouco atrás, um guarda da CET. O farol demorou, a velhinha puxou papo.

-Tá vendo ali, ó? - e indicou um carro da CET. Eles podem parar onde quiserem. Fazem o que querem, eles. A gente não.

O guarda olhou mas não disse nada. Como ela estava de costas para ele, não percebeu e continuou:

-Outro dia meu o carro parou de funcionar, sem gasolina, apareceu um guarda desses de trânsito e em vez de ajudar me multou!

O guarda continuou olhando. Fiz cara de paisagem, a senhora entendeu como desinteresse prosseguiu:

-Me multou! Pode? Porque acabou a gasolina. É errado, o senhor não acha?

O guarda me olhou. Ela fez menção de perguntar novamente, o farol abriu. Sorri e atravessei.

Só deu tempo de agradecê-la mentalmente: sem ela não tinha post hoje.

Porque a realidade dá muito medo.

E algumas pessoas colaboram.

We are the happy bunnies

 

A Universidade de East Anglia está no ranking das duzentas melhores do mundo. Ocupa a posição #145.

Além disso, está sempre no topo do ranking das melhores universidades britânicas e, ano após ano, ocupa os primeiros lugares nas pesquisas de satisfação dos alunos. Por mais de uma vez bateu Oxford.

Tem coelhos por toda parte, uma lanchonete mó legal, fica perto de Earlham Park (onde tem um café fenomenal). 

E, claro, fica em Norwich.

Clap, clap, clap

Pelas razões explicadas no post abaixo, em uma limpeza geral foram selecionados livros de diversas áreas que serão distribuídos. Para dar um destino melhor do que embrulhar bananas na feira, fica lançado o

3o. CONCURSO LITERÁRIO ALQUIMIA DO VERBO

Prêmio:  caixa com um monte de livros*

Regras:

1. Os interessados devem escrever um texto de até 2800 caracteres sobre "Livros"; 

2. Os textos devem ser anônimos, enviados para alquimiadoverbo@gmail.com de contas sem identificação - por exemplo, "123@gmail.com". Qualquer identificação implica desclassificação. Serão feitos bonecos vodu de quem que trapacear.

3. Os textos serão avaliados pela Equipe de Redação desta Alquimia e eventualmente por membros do legendário grupo Aleph ou convidados.

4. Valem os textos que chegarem até o dia 17/10.

5. O resultado será divulgado nesta Alquimia dia 24 de outubro.

Este post não será twittado nem colocado no facebook. Se todos os leitores do blog participarem, a chance de ganhar é uma em dezesseis.

Boa sorte.

 

*(Na verdade, só os livros. A caixa e a retirada dos livros é por conta do vencedor).

Empacotando / Desempacotando

 

Livros tem seu tempo de vida.

A não ser que você seja um colecionador, de tempos em tempos os livros se renovam.

Uma coleção de livros é um pouco a história pessoal do colecionador. Olhando os livros comprados anos atrás é possível lembrar de quais eram os gostos literários e os estudos.

Nas últimas semanas, por conta de uma longa história, está acontecendo uma alteração radical - a mais radical em anos.

Os motivos são vários.

Alguns simplesmente não são mais legíveis: é preciso reconhecer, com o peso da derrota, que os ácaros venceram a batalha. Quando não dá mais para abrir o livro e respirar ao mesmo tempo, e o livro não é tão bom que valha a pena não respirar, hora de passar para frente.

Outros não significam mais nada (tipo o nome "Anakin" para Darth Vader). Refletem as preocupações de momentos que se foram, caminhos abandonados no meio.

Tem os livros involuntários, que não servem para nada porque nunca serviram para nada e estavam guardados não se sabe porquê.

De um jeito ou de outro, foram importantes a seu tempo. E agora, que o sejam para frente.

Nenhuma nostalgia nisso. Livros tem seu tempo de vida.

E outros, melhores, virão.

Então, não?

 

Quando as pessoas ficam sabendo que você será pai as reações, na maior parte dos casos, são extremamente simpáticas. Algumas, não poucas, até mesmo afetivas - querem saber o nome da criatura, se é menino ou menina, quanto tempo falta. Esses, que por sorte são a maioria, são um motivo a mais para fazer valer a pena.

Mas tem uma minoria que está fora desse padrão. Criaturas de vários tipos, que podem ser resumidos em uns poucos:

O terrorista

Tem sempre histórias escabrosas para contar a respeito de cada fase da gravidez. Não perdoa um detalhe: sempre tem um parente, amigo ou conhecido com quem aconteceu algo terrível (ter conhecido gente assim, por exemplo).

O supersticioso

Não deixa fazer nada, tem simpatia para tudo. Não pode contar o nome da criança para os tios porque dá azar. Não pode montar o enxoval antes de nascer porque dá azar. A criança vai nascer em dia par? Má sorte. Em dia ímpar? Cuidado.

O profeta do apocalipse

Tem um comentário ruim sobre cada detalhe do futuro. Vai ter um filho? Ih, nunca mais você vai dormir. Vai nascer no calor? Ah, que perigo! Vai nascer no inverno? Coitado do bebê. É menino? Xí, só dá trabalho. É menina? Ih, quando ficar adulta você vai ver.

A comadre do mal (alguns chamam de "Tia Clotilde")

Dá palpite em tudo, do tipo de barriga ("É menino? Mas isso é barriga de menina") até o jeito de segurar o bebê, baseada em standards que não são considerados seguros desde 1613. Se você reclama, ouve que "estou falando para seu bem, mas se não quiser, tudo bem, não falo mais".

O "engenheiro de obra pronta" (créditos aos amigos do twitter):

Espera você fazer tudo o que tem que ser feito, não ajuda em nada e espera você terminar para dizer que está errado, viu?, era melhor ter feito de outro jeito.

O matemático

Aparentado com o Profeta do Apocalipse, mas diz tudo em números. Você conta que vai ter um filho e o sujeito começa a calcular - "Olha, só de fralda vai uns R$ 1200 por mês, fora alimentação, saúde, mais uns R$ 3000 de papinha, uns R$ 8000 de roupa..."

 

Porque a realidade dá muito medo, mas pode ser curiosamente cômica de tempos em tempos.

Corte aqui

 

Há um tipo pouco conhecido no mundo da gastronomia pé-no-chão. É o maníaco por envelopes.

Esse tipo, assim como o Don Juan de Elevador (ver post abaixo), tem uma área de atuação específica - padarias, bares e lanchonetes.

E um alvo: envelopes e sachês, sejam de sal, açúcar, adoçante, ketchup ou qualquer coisa que possa ser levada embora.

As motivações variam de um simples desejo de guardar coisas para mais tarde, como esquilos guardam nozes, até um discreto e reprimido sentimento de vingança contra o dono do lugar, "você vai ver, de envelope em envelope te levo à falência".

Sem mencionar auto-superação: poucas coisas requerem mais treino do que abrir alguns envelopes de ketchup ou maionese, sobretudo se você seguir as instruções "abra aqui".

E, de qualquer modo, está lá, é grátis (ok, está diluído no preço, tipo, 0,00043% de um cheeseburger), esperando para ser pego.

Pegar um monte não é crime, mas é estranho.  Zona cinza: não está errado, mas também não está certo.

Afinal, presume-se que você deve pegar o quanto vai usar (Kant, por exemplo, faria isso) e não o quanto se quiser (Schopenhauer, por exemplo, faria isso e se acharia o máximo).

Na maioria das vezes o negócio não é ostensivo. A pessoa olha para os lados, verifica se não tem ninguém vendo, e passa a mão em uns cinco ou seis envelopes. Coloca no bolso discretamente, sai.

Fica a impressão de que alguma coisa não está exatamente certa.

E lembra, não sei por que, um antigo episódio do Chaves.

Curioso.

E aí, gata?

 

O Don Juan de Elevador é uma sub-espécie do machão de padaria - tipo que passa boa parte do domingo no balcão, falando sobre temas ditos "de homem"e tem um estoque inesgotável de opiniões sobre qualquer assunto. Geralmente contra.

Derivado, o Don Juan de Elevador tem sua área de atuação mais limitada: sua principal característica é tentar passar cantadas nas situações mais inoportunas dentro, perto ou envolvendo elevadores. Freud explica.

Em geral, responde a qualquer frase com um galanteio. Outro dia, em um prédio chique na Berrini, teve um caso.

"Aperta o oito para mim por favor?", pediu uma moça, entrando no elevador. "Troco por um sorriso", respondeu um sujeito que lembrava uma mistura de Jece Valadão com Chuck Norris. A moça não fez caso e foi ela mesma apertar o botão.

Em geral, não seleciona quem vai cantar: qualquer mulher ligeiramente bonita é alvo.  E sempre acha que está abafando: se a mulher não responde, ou responde sem graça, ele insiste - às vezes, acrescenta uma voz sedutora.

"Segura a porta por favor?!", disse uma moça, em outra ocasião. "Só porque é você é bonita", disse um DJE com voz de "hey-baby-eu-já-cantei-com-Frank-Sinatra". Ela fechou a cara e entrou no elevador. Ele, invencível: "De carinha fechada você fica mais bonita". 

O DJE, como os outros tipos (Don Juan de Supermercado, Don Juan de Farmácia, Don Juan de Padaria, etc, etc, etc) se alimenta da esperança de que, um dia, alguma pessoa caia na cantada.

A única dúvida é qual a porcentagem de sucesso.

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